29 de abril de 2010

Saudades da minha alegre casinha

Também há coisas para dizer sobre a nossa casinha quando se está com os pezinhos em Odivelas. Aliás, só penso nela, e no seu habitante mais giro (desculpa, Maggita!), depois de um dia passado em sítios feios como Sacavém e Olival Basto.

E o que é que tenho, então, para dizer? Que quero ir para a minha casa, mesmo toda desarrumada e a precisar de aspiradores, vassouras, panos do pó, esfregões, esfregonas... Temos tudo, obrigada! Só precisamos de mão-de-obra.

Por falar em "temos tudo", é mentira. Estamos de pezinhos na areia há três meses e ainda não conseguimos levar lá gente a casa para jantar ou almoçar. Noutro dia demos jantar à nossa visita mais frequente no sofá, coitadinha. É que, ainda por cima, não sei bem o que nos passou pela cabeça, mas pusemos a única mesa que tínhamos, e que dava para quatro pessoas (seis, se contarmos com os bancos do campismo e se partirmos do princípio de que duas delas têm 1,85 metros, para chegarem à mesa, e não têm pernas, porque de lado não há onde pô-las). Perco-me sempre que faço parêntesis, pá. Não perco nada. É que, depois de um intervalo tão grande, não gosto de retomar a conversa como se nada se tivesse passado e obrigar as pessoas a andar para trás. A mesa está na minimarquise da cozinha. Está lá, a servir de poiso às tralhas do café.

Falta-nos uma mesa para a sala - entre outras coisas que agora não interessam para nada. Nós não somos as pessoas mais organizadas do mundo, é verdade. Se calhar já podíamos ter comprado taças de sobremesa, por exemplo, e ainda não calhou. Sei lá, nunca nos passa pela cabeça e, além disso, o meu pai foi lá um dia levar-nos algumas tigelas, que servem perfeitamente ora para a salada de frutas, ora para a sopa, ora para os cereais. Não somos esquisitos, mas é uma chatice ter de estar sempre a lavar loiça.

(ALERTA: O pensamento “não precisamos de máquina de lavar loiça porque somos só dois e não se junta muita loiça” é falacioso, ilusório, enganador. Comprai máquina da loiça, comprai. Nós não comprámos e eu arrependo-me sempre de cada vez que tenho de ir lavar uma pilha de pratos, e tachos, e panelas, e copos, e carradas de chávenas de café.)

Avizinha-se a compra de uma mesita, quiçá?, lá para o mês que vem. Vou fazer anos, e era simpático poder fazer lá um jantar, mas não prometo nada. O carro anda a ameaçar perder a panela de escape e, caso isso aconteça, não há mesa para ninguém.




Eu gosto é disto. Desatar a escrever sem saber no que isto vai dar e chegar no fim à conclusão de que mais valia ter ficado quieta. Mas ao menos assim não fiquei aqui, longe de casa, a pensar nela sozinha. Quando escrevo sinto-me sempre acompanhada. Quer dizer, o momento exacto em que escrevo é solitário, porque na realidade não estou a falar com alguém, mas a ideia de estar a contar coisas a alguém e a perspectiva de haver um leitor ou interlocutor fazem-me companhia.

8 de abril de 2010

Caminhos de Vera Cruz *

Ganhei o bimbo hábito de sair de casa e, com ou sem máquina fotográfica, percorrer as ruas com todos os sentidos à caça. Um bocado à turista, só me falta saltitar, apontar para os pássaros e apanhar uma flor ou outra para cheirar. Que totó.

Gosto realmente da zona para onde nos mudámos. Pelo menos ando a desfrutar dela como se fosse especial. A mim parece-me que é, sobretudo depois de 20 anos a viver na Amadora. Em dueto ou a solo, este foi sempre o meu objectivo: fugir dali. E, embora estivesse convencida de que acabaria por ir viver para Lisboa, não trocava agora este sítio por nada. Eu disse ‘agora’. Nada é definitivo. 

As pessoas é que fazem os sítios. Uma lixeira pode ser um sítio maravilhoso se as pessoas certas passarem por lá. E uma ilha paradisíaca passa a ser de vomitar quando quem lá vai cheira mal. É mais ou menos isto, mas agora juntem-lhe expectativas, sentimentos, sensações, idiossincrasias, emoções… é complexo. Isto pode não ser válido para todos, mas a minha experiência tem sido esta. Filosofia barata, eu sei, mas, vá onde for, tudo o que tem contado é a companhia.

 

Era mesmo só isto, desta vez. Eu avisei que isto é para ser light, com banalidades, coisas sem importância e interesse, uma ou outra lamechice de vez em quando. Ninguém veio aqui enganado, espero.

 

 

* Tenho de parar com isto de usar Vera Cruz em tudo.

23 de março de 2010

O Electricista de Vera Cruz


Deixemo-nos de culinária (se bem que ontem fiz um arroz de miúdos... ui, ui) e passemos à bricolage.

A casinha está a ficar composta. Já temos dois candeeiros. Yeah! A cozinha e a casa de banho grande têm, finalmente, luz decente. 

O momento de bricolage aconteceu na tarde do domingo passado e foi protagonizado, essencialmente, por ele. Eu andei de volta de outras coisas, mas ajudei a escolher o local dos furos. Toalheiro na casa de banho pequena, prateleiras na banheira, suporte para o chuveiro, candeeiros operacionais... e a minha 'obra' preferida: uma tomada na casa de banho. Ele fez nascer, no meio dos azulejos azuis, uma tomada. E funciona! Tive o que em mim, uma controladora nata de impulsos, corresponde a um ataque de histerismo. Parecia só muito feliz e contente, mas estava para lá disso. Eu seco o cabelo umas cinco vezes por ano, ou seja, não sei para que quero uma tomada na casa de banho, mas, epá, sinto que a minha qualidade de vida melhorou substancialmente pelo facto de ela estar ali. Para o que der e vier.


10 de março de 2010



É só para que fique bem claro:

Da descasca da fava, ou da descasca da ervilha, ou até da descasca do marmelo (as descascas do feijão verde não são descascas, são afazeres que não duravam um serão inteiro, são afazeres daqueles chatos, como limpar a loiça, arrumá-la no armário ou fazer a cama) (as descascas são especiais, eram fixes e eram daquelas coisas que se queria que acontecessem) lembro-me só dos serões. E ainda bem. Que sacrilégio.

Não, o Festival da Canção é uma aberração e as descascas não podem nunca ser associadas a uma aberração.


26 de fevereiro de 2010

Repastos de Vera Cruz

Ele ganha claramente, mas eu não fico assim tão atrás.

Na terça-feira, por exemplo, o jantar saiu-me bem. Muito bem. Foi uma bela estreia da frigideira gigante da loja do Gato Preto (PUB).

Com três valentes peitaças de frango a olhar-me de esguelha através do celofane da embalagem, arregacei as mangas, pus o bonito avental que temos ali e, ignorando quaisquer preces, pedidos, rogos, súplicas, cortei-os aos bocadinhos.

Abri o frigorífico e o armário das mercearias e tirei tudo o que me pareceu interessante. Assim, só com este critério. Se calhar por isso é que acabei por não usar os sacos para fazer gelo e o chá de camomila.

Resultado: refogado com tomate fresco, cenoura ralada, feijão verde (há uns dias ele lembrou-se dos saudosos serões passados em família a descascar ervilhas ou a cortar feijão verde e a ver o Festival da Canção. Hoje em dia já ninguém descasca ervilhas em família. E também já ninguém vê o Festival da Canção). Perdi-me. Ah, refogado cheiroso, tomate fresco, feijão verde, fiambre aos cubinhos (eram mais paralelepípedos), cogumelos inteiros, cenoura ralada… Acho que foi isto.

Tudo regado com o inefável Casal da Eira (PUB institucional), sarapintado de sal, pimenta de cinco bagas, alho picadíssimo e um niquinho de piripiri, e aconchegado por duas ou três folhinhas de louro.

M-A-R-A-V-I-L-H-A

Como me armei em gabarolas, e até quis vir aqui registar a proeza (mesmo depois de ter escrito um primeiro texto sobre isto e de o ter apagado sem querer do computador), ontem fiz uma sopa de feijão verde que ficou uma merda. Está bem que foi para aí a quinta vez que fiz sopa (na vida), mas esperava mais. E isto para mim é complicado. Quase insultuoso. Mexe comigo, pronto.

A minha avó faz sopas sublimes, a minha mãe faz sopas excelsas, a minha irmã faz sopas grandiosas e eu contava que fosse um talento hereditário, que me estivesse cravado nos genes, e que um dia, quando eu menos esperasse – mesmo que estivesse a fazer um bacalhau à Zé do Pipo –, o meu dom natural para a sopa revelar-se-ia. E nesse dia, então, faria uma juliana sem precedentes. Um bocado como os superpoderes. Mas não.

I-N-S-O-S-S-A

23 de fevereiro de 2010

Maggie

O tapete fica-lhe tão bem


Raptámo-la no dia 12 de Fevereiro, pela calada da noite, daquela que era a sua casa há nove anos. Cesto com ela, apesar de alguma resistência, e ala que se faz tarde. Miou que se fartou pelo caminho e fez variadas e desesperadas tentativas de esgaravatar a portinhola de verga. Fora isso, ninguém diria que transportávamos uma gata no banco de trás do nosso utilitário.

Quando chegámos andou rasteirinha pela casa, a explorar todos os cantos e recantos do nosso T2 (+1 bocadinho). Este processo durou uma morosa meia hora, até se aperceber de que aqui também há um aquecedor, no qual pode continuar a dedicar-se à queima do bigode. Será que há mais gatos que coloquem o focinho entre as resistências dos aquecedores? Nunca vi.

Semana e meia depois, não há dúvidas. A adaptação... Mas qual adaptação?! Meia hora, meu deus... Meia horinha e já era dona do tapete da sala e do aquecedor. 

É bom tê-la aqui por casa. A ela e à sua fixação pelo sofá. Doze anos de vida depois, ainda não desistiu e interpreta todo e qualquer movimento nosso como um convite para saltar.

Manias à parte, é uma grande companhia!

Nunca se sabe

Mudámo-nos há mais ou menos um mês. E eu ando desde então a adiar este momento. Quero gravar este tempo para o caso de vir a precisar de me lembrar dele. Nunca se sabe.