Ele ganha claramente, mas eu não fico assim tão atrás.
Na terça-feira, por exemplo, o jantar saiu-me bem. Muito bem. Foi uma bela estreia da frigideira gigante da loja do Gato Preto (PUB).
Com três valentes peitaças de frango a olhar-me de esguelha através do celofane da embalagem, arregacei as mangas, pus o bonito avental que temos ali e, ignorando quaisquer preces, pedidos, rogos, súplicas, cortei-os aos bocadinhos.
Abri o frigorífico e o armário das mercearias e tirei tudo o que me pareceu interessante. Assim, só com este critério. Se calhar por isso é que acabei por não usar os sacos para fazer gelo e o chá de camomila.
Resultado: refogado com tomate fresco, cenoura ralada, feijão verde (há uns dias ele lembrou-se dos saudosos serões passados em família a descascar ervilhas ou a cortar feijão verde e a ver o Festival da Canção. Hoje em dia já ninguém descasca ervilhas em família. E também já ninguém vê o Festival da Canção). Perdi-me. Ah, refogado cheiroso, tomate fresco, feijão verde, fiambre aos cubinhos (eram mais paralelepípedos), cogumelos inteiros, cenoura ralada… Acho que foi isto.
Tudo regado com o inefável Casal da Eira (PUB institucional), sarapintado de sal, pimenta de cinco bagas, alho picadíssimo e um niquinho de piripiri, e aconchegado por duas ou três folhinhas de louro.
M-A-R-A-V-I-L-H-A
Como me armei em gabarolas, e até quis vir aqui registar a proeza (mesmo depois de ter escrito um primeiro texto sobre isto e de o ter apagado sem querer do computador), ontem fiz uma sopa de feijão verde que ficou uma merda. Está bem que foi para aí a quinta vez que fiz sopa (na vida), mas esperava mais. E isto para mim é complicado. Quase insultuoso. Mexe comigo, pronto.
A minha avó faz sopas sublimes, a minha mãe faz sopas excelsas, a minha irmã faz sopas grandiosas e eu contava que fosse um talento hereditário, que me estivesse cravado nos genes, e que um dia, quando eu menos esperasse – mesmo que estivesse a fazer um bacalhau à Zé do Pipo –, o meu dom natural para a sopa revelar-se-ia. E nesse dia, então, faria uma juliana sem precedentes. Um bocado como os superpoderes. Mas não.
I-N-S-O-S-S-A
