26 de fevereiro de 2010

Repastos de Vera Cruz

Ele ganha claramente, mas eu não fico assim tão atrás.

Na terça-feira, por exemplo, o jantar saiu-me bem. Muito bem. Foi uma bela estreia da frigideira gigante da loja do Gato Preto (PUB).

Com três valentes peitaças de frango a olhar-me de esguelha através do celofane da embalagem, arregacei as mangas, pus o bonito avental que temos ali e, ignorando quaisquer preces, pedidos, rogos, súplicas, cortei-os aos bocadinhos.

Abri o frigorífico e o armário das mercearias e tirei tudo o que me pareceu interessante. Assim, só com este critério. Se calhar por isso é que acabei por não usar os sacos para fazer gelo e o chá de camomila.

Resultado: refogado com tomate fresco, cenoura ralada, feijão verde (há uns dias ele lembrou-se dos saudosos serões passados em família a descascar ervilhas ou a cortar feijão verde e a ver o Festival da Canção. Hoje em dia já ninguém descasca ervilhas em família. E também já ninguém vê o Festival da Canção). Perdi-me. Ah, refogado cheiroso, tomate fresco, feijão verde, fiambre aos cubinhos (eram mais paralelepípedos), cogumelos inteiros, cenoura ralada… Acho que foi isto.

Tudo regado com o inefável Casal da Eira (PUB institucional), sarapintado de sal, pimenta de cinco bagas, alho picadíssimo e um niquinho de piripiri, e aconchegado por duas ou três folhinhas de louro.

M-A-R-A-V-I-L-H-A

Como me armei em gabarolas, e até quis vir aqui registar a proeza (mesmo depois de ter escrito um primeiro texto sobre isto e de o ter apagado sem querer do computador), ontem fiz uma sopa de feijão verde que ficou uma merda. Está bem que foi para aí a quinta vez que fiz sopa (na vida), mas esperava mais. E isto para mim é complicado. Quase insultuoso. Mexe comigo, pronto.

A minha avó faz sopas sublimes, a minha mãe faz sopas excelsas, a minha irmã faz sopas grandiosas e eu contava que fosse um talento hereditário, que me estivesse cravado nos genes, e que um dia, quando eu menos esperasse – mesmo que estivesse a fazer um bacalhau à Zé do Pipo –, o meu dom natural para a sopa revelar-se-ia. E nesse dia, então, faria uma juliana sem precedentes. Um bocado como os superpoderes. Mas não.

I-N-S-O-S-S-A

23 de fevereiro de 2010

Maggie

O tapete fica-lhe tão bem


Raptámo-la no dia 12 de Fevereiro, pela calada da noite, daquela que era a sua casa há nove anos. Cesto com ela, apesar de alguma resistência, e ala que se faz tarde. Miou que se fartou pelo caminho e fez variadas e desesperadas tentativas de esgaravatar a portinhola de verga. Fora isso, ninguém diria que transportávamos uma gata no banco de trás do nosso utilitário.

Quando chegámos andou rasteirinha pela casa, a explorar todos os cantos e recantos do nosso T2 (+1 bocadinho). Este processo durou uma morosa meia hora, até se aperceber de que aqui também há um aquecedor, no qual pode continuar a dedicar-se à queima do bigode. Será que há mais gatos que coloquem o focinho entre as resistências dos aquecedores? Nunca vi.

Semana e meia depois, não há dúvidas. A adaptação... Mas qual adaptação?! Meia hora, meu deus... Meia horinha e já era dona do tapete da sala e do aquecedor. 

É bom tê-la aqui por casa. A ela e à sua fixação pelo sofá. Doze anos de vida depois, ainda não desistiu e interpreta todo e qualquer movimento nosso como um convite para saltar.

Manias à parte, é uma grande companhia!

Nunca se sabe

Mudámo-nos há mais ou menos um mês. E eu ando desde então a adiar este momento. Quero gravar este tempo para o caso de vir a precisar de me lembrar dele. Nunca se sabe.